A primeira ação do Pibid –
Espanhol UFRJ em 2015, envolvendo gêneros textuais, foi trabalhada em duas
turmas de terceiro ano do ensino médio. Para isso, fundamentos nosso trabalho
usando conceitos de BAKHTIN (2003) e a noção de sequência didática de DOLZ, NOVERRAZ,
SCHNEUWLY (2013). Nós bolsistas fomos divididos em grupos: o primeiro se
ocupou de trabalhar charges/”viñetas” em uma turma e o segundo, infográficos
com a turma seguinte. Foram feitos muitos debates até chegarmos nesse consenso
e, felizmente, as ações foram muito proveitosas.
Na aula seguinte,
os alunos foram divididos em grupos de 4 pessoas e em cada grupo estava
presente um bolsista do Pibid, que desenvolveu o plano de aula (Ver anexo 1).
Uma de nossas grandes preocupações foi não trabalhar apenas o gênero em si e
sim usar da criatividade dos alunos como ponto de partida para uma
reflexão. Ainda na mesma aula, os alunos levaram as produções em
português, cujo tema central foi tecnologia. Cada grupo escolheu um tema
diferente sobre evoluções tecnológicas: evolução dos satélites, evolução das
câmeras fotográficas, evolução dos celulares e evolução dos aparelhos de mp3,
por exemplo.Na produção inicial, pudemos perceber o comprometimento que o
grupo, em geral, teve com a tarefa proposta. Cada monitor discutiu com seus
grupos, e os respectivos trabalhos foram discutidos de maneira particular em
cada um dos subgrupos.
Durante o processo, o plano de aula não foi seguido completamente em virtude dos desenrolar da conversa, mas serviu como elemento norteador para que todos os grupos fossem trabalhados de forma relativamente parelha. Inicialmente foram plantadas questões sobre o motivo que levou as duplas a escolherem o tema de seus infográficos. Procuramos debater questões sobre como os celulares e as câmeras influenciam suas vidas cotidianas, sobre quais modelos que apareceram nos infográficos eles conheciam e se ainda tinham acesso a algum aparelho antigo. Outro momento foi quando apresentamos às duplas que os infográficos podem aparecer de diversas maneiras, com diversas construções, com diversos formatos e não apenas retratando a evolução de algum objeto.
Depois de feitas as ações citadas, propusemos que os infográficos elaborados em
português fossem traduzidos para o espanhol. Um dos infográficos estava muito
comprido, então explicamos que o infográfico é feito para apresentar as
informações mais relevantes, concisas e de maneira visual, dentro de um site,
revista ou jornal, por exemplo. Com isso, foi sugerido que os grupos
"enxugassem" suas produções a fim de que o trabalho ficasse mais
adequado ao formato do gênero. O momento mais conflitivo, surgiu no momento da
tradução dos textos para a língua espanhola. Por mais que os bolsistas
estivéssemos ali para auxiliá-los, a insegurança em traduzir foi muito grande.
Usamos dicionários como apoio, mas mesmo assim, percebemos algumas
resistências. Fomos questionados sobre “por que vocês estudam espanhol? / Como
vocês gostam disso?”, por exemplo. Além de explicarmos pela questão de gostos,
tentamos mostrar a importância da língua espanhola, sobretudo por sermos um
país que está rodeado de países hispanohablantes. Tivemos que repensar
instantaneamente as estratégias para podermos trazer essa dupla para atividade,
e uma delas foi a maior interação com os alunos, formando assim uma conversa de
conhecimento e confiança.
Com o pouco tempo de aula que nos restou para fazer a atividade da tradução,
foi preciso que os alunos a terminassem em casa e a levassem na semana
posterior para apresentarem suas dúvidas e questionamentos sobre a tradução. Na
semana seguinte os alunos nos procuraram para esclarecer dúvidas, e nós
aproveitamos a atenção especial que os era dada, para falar sobre questões
sintáticas e as diferenças entre o português e o espanhol, por exemplo. Para
isso, nos baseamos em questões trazidas pelos próprios alunos, que diziam que
ao mesmo tempo em que o espanhol era uma língua fácil por ser parecida com o
português, era uma língua difícil porque tinha muitas “pegadinhas”. É certo que
temos muitas semelhanças léxicas e morfológicas com o espanhol, mas
sintaticamente e discursivamente, por exemplo, somos completamente diferentes.
Em sala de aula, o professor supervisor levantou questões sobre os motivos que
levaram os alunos a escolherem os temas e se foi difícil trabalhar em grupo.
Essas questões foram levantadas porque, segundo ele, na vida somos obrigados a
trabalhar em equipe e sempre surgirão eventuais problemas, cabendo a nós
sabermos resolvê-los de maneira cordial. O momento posterior foi protagonizado
pelos alunos, que foram até a frente explicar para toda a turma seus
trabalhos.
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| Alunos apresentando seus infográficos juntamente com 2 bolsistas. |






