Essa atividade ocorreu durante o
período da greve docente do estado do Rio de Janeiro que teve início em 2 de
março e término em 26 de julho.
Nesse contexto de greve realizamos
duas atividades: uma entrevista com o SindFaetec e a produção de um mural sobre
as greves docentes em países hispano falantes.
O objetivo da entrevista foi saber um pouco mais sobre as
reinvindicações dos docentes, saber se houveram greves anteriores e qual o
papel desempenhado por esse sindicato e também saber quais foram os ganhos de
greves anteriores caso tenham havido.
Sobre
o painel, aproveitamos o momento da greve dos docentes do Rio de Janeiro,
pesquisamos e comparamos as greves de países hispano falantes com a nossa
greve, e a partir disso montamos um quadro para ficar exposto na escola para
que os alunos e professores que circulavam por lá nesse período pudesse
conhecer um pouco das reinvindicações de nossos países vizinhos.
A
pesquisa foi separada por tópicos: a época em que a greve aconteceu, quais os
motivos, as reinvindicações, como ocorreram as manifestações e o foi
conquistado através da greve e, além disso, buscar as semelhanças entre a greve
docente aqui no Brasil e nos países pesquisados.
ENTREVISTA COM O SINDICATO
“Greve é enfrentamento”
Bolsistas de iniciação
à docência da UFRJ entrevistam dirigentes do SINDPEFAETEC
Os profissionais da
educação da FAETEC decretaram greve por tempo indeterminado desde o dia 2 de
março. O SINDPEFAETEC, uma hora antes de reunião com Wagner Victer, presidente
da Fundação, concede entrevista ao PIBID – Espanhol, em sua sede. Além dos
cortes de recursos que implicam queda da qualidade dos serviços prestados à
população Gabriela Ferreira e Marcio Luiz Silva também falaram sobre suas
vivências como sindicalistas e da participação dos professores da E.T.E.R no
movimento.
16 DE MARÇO, 2016
PIBID: Como o sindicato
se comporta diante dos outros discursos relacionados à greve?
M: Tudo o que o sindicato fala é uma
fala que é oficial e legítima. Agora quem não é fala o quer, porque é
democracia, liberdade de pensamento. Agora a gente não pode ter liberdade de
pensamento, porque eu quando abro a minha boca, eu não estou sendo visto como
Márcio. Eu estou sendo visto como coordenador sindical.
PIBID: Como o sindicato vê a
movimentação dos professores do República? A escola tem uma participação
positiva para o momento?
G: Assim, o sindicato fez uma reunião
na segunda-feira, a República está em dúvida. Vieram falar que há um disputa
interna. O sindicato não disputa ninguém, o sindicato está fazendo
convencimento, mas existe uma força aqui dentro de oposição que trabalha com a
contra-informação. O sindicato não pode se responsabilizar pela fala do outro. A
gente não estava presente e não ratificou a reunião organizada pelo grupo de
oposição ao sindicato. Seja por bem, seja por mal, a fala oficial é a que
prevalece. Então, se tem outra fala, as pessoas têm que ter uma leitura, elas
têm que se colocar no momento da reunião oficial. Mas as pessoas se retiram da
reunião, não falam.
PIBID: Como vocês veem
a manifestação dos alunos? Eles devem participar ou isso cabe apenas aos
professores?
G: Não, os alunos, quem são eles pra
fazer qualquer manifestação? Mas o que alguns profissionais tentam fazer na
greve é dizer para o aluno esvaziar a escola e com isso justificar sua ausência
da sala de aula. O que a gente escuta é: "eu não estou em greve, mas os
meus alunos não vieram", isso é uma tática mais antiga que andar pra trás.
PIBID: Com funciona
está tática?
G: Nosso povo aqui faz isso. O
professor quer dizer que está ali, mas não tem culpa de não estar na sala de
aula porque os alunos não foram. Para o aluno, o professor está em greve, mas
quando o diretor pergunta, ele não está, Isso é dúbio, é complicado, porque
como a gente falou, greve é enfrentamento. Se levantou o braço, você tem que
ter convicção que está em greve.
PIBID: De que forma uma
greve se estabelece e se consegue a mobilização geral?
G: Você não faz uma reunião para falar
em greve na escola. Primeiro a gente convence, o profissional se convence,
depois ele convence o outro profissional e, depois quando você está convencido
e vai pra greve, você passa para o aluno. Você não fala com o aluno antes, você
não convence o aluno de que entrou em greve, porque a greve não é dele. Aluno
tem grêmio, aluno pode se manifestar, aluno pode se rebelar e pode dizer que ele não vai entrar na sala,
mas não sou eu que vou dizer ao aluno que ele não tem que estar ali. Eu vou
dizer pra ele que eu estou em greve e não vou dar aula. O que o aluno vai fazer
é livre. Agora se esconder atrás do movimento estudantil é um clássico da nossa
categoria. Quando você confronta os profissionais e fala "cara, você tá em
greve?" é diferente, você obriga o profissional a falar "olha, eu não
vou fazer greve porque eu estou com medo de ter um corte de salário".
Beleza! Você tem direito, mas eu nunca vi alguém que faz greve sem medo. Se
você está indo para o enfrentamento você corre o risco de tudo.
PIBID: Muitos
professores não sabem como se posicionar acerca do que seja uma greve. Como o
sindicato vê isso?
G: É assim, é como eu falei para o
pessoal do República. Greve é assim, você vai à assembleia do seu sindicato,
você levanta o seu braço porque você está convicto da greve e um abraço. Você
não pede anuência do patrão, você não pede anuência do seu diretor, você não
pede permissão para fazer greve. A greve é um enfrentamento. Quando eu decido
que eu vou fazer greve, eu cruzo os meus braços e estou em greve. "Ah, eu
tenho dúvida de como é que eu faço a greve!". Cruza os braços, as pessoas
usam de todos os artifícios para se escorar e para se defender, mas não existe
outra forma de se fazer greve a não ser parar o serviço.
PIBID: E sobre a
questão da greve de ocupação?
G: Tudo bem, já fizemos greve de
ocupação. Mas, greve de ocupação não é ficar dentro da escola. A gente entende
que a greve de ocupação sempre foi uma necessidade na FAETEC. Em alguns
governos, é necessária, mas nesse, agora tanto faz, não faz a menor diferença
você estar na escola ou não estar.
PIBID: Uma das formas
de pressionar é o lançamento de códigos de faltas para os docentes e
funcionários. Como vocês vêem o lançamento dos códigos, trinta e sessenta um,
pela presidência? Você acredita que os professores não conhecem esses códigos?
G: Eles conhecem, o que eu ouvi aqui no
República é assim: as pessoas querem fazer greve com a garantia de tudo. Nesse
ponto eu vou fazer o mea culpa do sindicato. A gente sempre
garantiu para essa categoria aqui o céu. Na outra greve, a gente não teve corte
de ponto. A gente passou quase 70 dias em contra o Plano de Cargos e Salários,
em 2013. Quando eles visualizaram o contracheque zerado, no dia seguinte a
gente reverteu. Então, assim, as pessoas estão acostumadas. Elas gostam de
reclamar, mas a gente nunca deixou ter corte. Eles sabem que o código 61 é o
código de greve. Só que na cabeça de todo mundo, o código 61 é corte e se a
gente não judicializar é corte mesmo. Porque o sistema da SEPLAG lê o código 30
e o código 61 como falta. Os 2 são faltas. O código 30 é um código de falta sem
justificativa e o código 61 é o código de falta por motivo de greve. Então
agora, a provocação vai ser feita pelo sindicato. A gente vai judicializar a
greve, porque a gente provoca o judiciário para ele bater o martelo e dizer que
a greve é legal, aí o 61 vai resguardar todos os que estão com este código.
PIBID: Sabemos que a atuação em qualquer
sindicato é bastante turbulenta. Por que vocês resolveram fazer parte de um
sindicato formado por técnicos e docentes?
G: Antes de mais nada, o sindicato é paritário, ele tem que ser meio
docente e meio administrativo. Essa é uma exigência do estatuto. Aqui existem
membros de diferentes setores.
T: Eu sou
instrutora e posso dizer que entrei para contribuir com essa coisa do PCS
G: A gente já está
doido pra sair
M: O mais interessante,
ao meu ver, é a permanência no sindicato porque a entrada tem várias
motivações. É o que eu falei para você. Você está num momento de luta, então
está participando ali. Alguém te convida porque acha que você tem alguma coisa
a contribuir, e você entra. Agora, a manutenção é o diferencial, a gente
avançou tanto dentro dessa luta que foi ficando fortalecido, vitaminado. Então,
vai vendo que teu colega deposita em você. Te reveste de um poder que você não
sabe que tem e passa a acreditar. Se ele acredita em mim, eu acredito também.
Então você vê que é possível, se torna responsável por aquilo e vai acumulando
responsabilidades.
PIBID: Não tem um tempo
máximo que vocês podem ficar, como, por exemplo, quatro anos?
G: A gente tirou barreira do tempo
limite
M: Se você deixar barreira a gente
entrega o sindicato.
PIBID: Mas isso também
não é, de certa forma, autoritário?
G: A gente é eleito! É eleição!
M: A gente não é autoritário se a gente
é escolhido.
G: Se toda vez você abre o pleito para
você ser escolhido ou não, não é a gente que escolhe.
M: O interessante é isso, a gente não
permanece porque a gente quer, a gente permanece porque as pessoas querem.
PIBID: Mas voltando ao
assunto de entrar no sindicato.
S2: Eu fui parar no sindicato ao acaso.
Um acaso que não existe. Mas, assim, ao acaso. Eu entrei como suplente, porque
dentro do República eu era perseguida, ia sofrer sindicância, na época do
diretor Adriano e tudo mais. Aí o pessoal falou que tinha vaga no
sindicato, e eu disse que lá eu não queria:
insistiram pra eu aceitar ser suplente. Aí eu falei: “Beleza!”. Alguém me
disse: “você acompanha a chapa, você chama voto para a chapa”. Só que assim que
a chapa entrou em janeiro, já em fevereiro saiu alguém.
PIBID: Vocês sentem
falta da vida de vocês antes do sindicato?
S2: Eu tenho uma inveja de ser categoria
e só levantar o braço.(risos). Eu estou doida para ser manobrada! Eu quero ser
manobrada! Ouvir o que o sindicato vai falar e levantar o braço. Esse é o meu
sonho! Sabe por quê? É muito difícil quando a gente lida assim, é muito
estressante. As pessoas estão perguntando: “Ah como você tem saúde?” Primeiro,
eu não vejo Facebook. Se a gente se alimentar daquilo. Todo dia, a gente não
consegue coordenar. Tem que ir à escola, ligar, ir à unidade. A gente é
militante. Militante de verdade não tem vida, não faz sexo, não come, não tem
família, não se preocupa em voltar pra casa. Dane-se o mundo. Se a assembleia
terminar 22h, ele está ali. Ele é um soldado. A nossa categoria não é. “Mas eu
tenho que buscar o meu filho na escola”. A categoria normal está ali para
votar. Se a gente não faz uma assembleia mais objetiva, ela vai embora.
PIBID: As assembleias
são espaços de debate e manobras. Como vocês veem as posturas da categoria e da
oposição?
M: Quando você marca uma assembleia,
você vê a estratégia da oposição certinha. Eles esticam a assembleia porque ela
sabe que os mortais vão embora. Agora eles não largam, não saem dali. Então
eles acabam sendo maioria.
PIBID: Vocês conseguem
notar essas estratégias de manobras em outros campos da vida? Vocês têm essa
percepção?
G: Sim. A gente estava até brincando no
outro dia que a gente começa a escutar as falas, parece que vem uma tecla SAP
embaixo. Sabe aquela legenda? Você está ouvindo o discurso, aquela fala bonita
e você pensa “filho da mãe”. Eu não sei se isso é bom ou se isso é horrível,
mas é assim. Por exemplo, quando a gente estiver na assembleia, conhecemos os
dois lados, tanto da manipulação interna dos sindicatos, se houver, como da
oposição. Então se pode defender um ou outro.*
QUADRO DE 'HUELGAS'


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